Discurso – dia 25 de junho – Produção, Trabalho e industrialização

                Quero começar um diálogo hoje que não se encera somente neste espaço, mas que devemos continuar sempre.

Dialogar sobre Produção, trabalho e industrialização, mão de obra e incentivos fiscais.

Em todos os espaços de discussão quando o assunto é desemprego e desenvolvimento de um município, ouvimos a necessidade de trazer indústria e penso que neste sentido temos muito para discutir. Claro que queremos que nossa cidade seja industrializada e que empregue o máximo de moradores, mas não é bem assim que acontece quando trazemos uma grande indústria para se instalar na cidade.

Nos municípios de médio e pequeno porte, como é o caso de Primavera do Leste, as empresas “convidadas” a se estabelecer exigem uma pesada contrapartida mediante a concessão de fortes incentivos concedidos pelo Estado ou pelo próprio município. Assim, vez ou outra, uma empresa de grande porte cria alguma unidade de produção em troca dos incentivos que custam muito caro  para os cofres públicos: o gestor local se compromete em NÃO RECOLHER os impostos ARRECADADOS pela empresa felizarda. Ou seja: o contribuinte paga mas os grandes industriais ficam autorizados a NÃO RECOLHER aos cofres públicos. Eles recebem duplamente por aquilo que produzem.

Há outro detalhe que quase ninguém atenta para ele: no momento em que se anuncia a vinda de uma grande empresa industrial para o município, muitos trabalhadores (quase sempre desqualificados) se movem de outros municípios em busca de trabalho. Se pararmos para pensar, os empregos são criados e imediatamente zerados com a gente vinda de fora. O município que recebeu a indústria ou a nova empresa fica apenas com as dificuldades sociais, urbanos e ambientais. (30 anos de isenção de impostos mas a população que chega quer atendimento a saúde, educação, moradia agora, gerando despesa imediatamente e  retorno de imposta depois de 30ou 40 anos)

Na prática, não há melhora na qualidade de vida para a antiga população local.

Tenho visitados nossas industrias, as já instaladas no nosso município, Na maioria são moradores de nossa cidade, já pagam impostos, empregam nossos moradores. Mas todos sem exceção necessitam de mão de obra qualificadas, poderiam empregar e produzir muitos mais do fazem, gerando muito mais impostos, mas não tem condições de fazer isso por falta da mão de obra qualificada para trabalhar nos maquinários modernos que possuem

Também proponho, é que se dê incentivo às pequenas empresas de transformação, as Industriais que já temos. Mas o incentivo que eu vejo não é a eliminação da responsabilidade de arrecadar e recolher os impostos aos cofres públicos. Trata-se de estratégias de fomento, estímulo à produção. São inumeráveis as alternativas que, no varejo, rendem muito mais para o município do que as chamadas “grandes indústrias”, na sua imensa maioria transnacionais. Brasileiras ou estrangeiras, todas têm uma característica comum: CONCENTRAR LUCRO. O recurso recolhido no território do município, quase sempre, é aplicado fora daqui, muito longe, em outras atividades industriais e no mercado financeiro nacional ou em bolsas de valores fora do Brasil.

E como fica a população?

Os pequenos estabelecimentos é que giram verdadeiramente a economia local. É quem presta seus verdadeiros serviços aqui. Produz, arrecada, lucra (bem ou mal), aplica suas economias no município onde também usufrui dos investimentos resultantes dos impostos que ajuda a arrecadar. Empregam e não são grandes concentradores de renda como as grandes indústrias. As médias e pequenas indústrias são a forma de produção e arrecadação mais legítima que existe. Ao implementar ao máximo esse modelo proposto, Estaremos, principalmente, dando dignidade a todo e qualquer cidadão que, de modo legítimo, suprir as próprias necessidades. Ainda por cima há uma redução significativa na criminalidade.

Combate-se aí também o vício das grandes empresas em CONSUMIR TODOS OS INCENTIVOS que o Estado ou município lhes concede e, não raro, irem embora a procura de outra unidade federativa generosa nas concessões. Aqui mesmo em Mato Grosso, no município de Barra do Garças, nós temos um exemplo bem ilustrativo: nos anos 1980, a empresa SADIA obteve incentivos milionários para ocupar uma Planta de Produção construída com recursos da SUDAM – Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia, ao findar o prazo de exploração, a empresa simplesmente saiu do município.

Legítimo é que se dê destaque aos pequenos, os verdadeiros produtores e industriais em todas as localidades do planeta.

Não devemos nos esquecer de que muitas das grandes empresas que atuam no mundo, hoje, começaram em um fundo de quintal. Não queremos tanto, já que é esse gigantismo que combatemos, mas é preciso iniciar novos negócios sempre.

Precisamos fazer uma pesquisa para saber, quantos desempregados temos? que qualificação eles tem?, para poder preparar essa mão de obra.

(Serralherias, confecções, cerâmicas de construção ou decoração, artesanato. Serviços como alimentação e/ou hospedagem, recepção, turismo rural, industrialização de alimentos, centros automotivos voltados para mecânica de automóveis, caminhões ou máquinas agrícolas)

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