Discurso na sessão da Câmara de Vereadores em 18 de setembro de 2018

  • Vereadoras e vereadores Cumprindo com o expediente que me é devido

Senhoras e senhores, boa noite e obrigada pela presença.

 Trago a este plenário a discussão de um assunto polêmico, principalmente aqui em Mato Grosso, Estado essencialmente agropecuário, e em Primavera, destaque em Mato Grosso na produção de gêneros agrícolas.

Longe de querer criar aqui um “cabo de guerra”, em que se disputa quem está certo ou errado, colocar de um lado vítimas e de outro culpados sem direito a defesa, gostaria de abordar uma questão fundamental para a nossa economia e equilíbrio social: o modelo agrícola praticado em nosso Município, chamado ostensivamente de AGRONEGÓCIO.

Quero falar do polêmico projeto de Lei número 810/2017, que diminui de 250 metros para 90 metros a distância mínima para aplicação de agrotóxico em lavouras localizadas dentro do perímetro urbano.

Sabemos da importância fundamental do agronegócio para Primavera do Leste e Mato Grosso, desde os anos 1980/90, quando aqui se iniciou o cultivo de vastas áreas, inicialmente com campos de arroz, soja, milho, algodão. Junto, veio alguma ocupação profissional para todos quantos estamos aqui. Alguns atuando diretamente na produção e outros, se encaixaram na chamada “cadeia produtiva”, esteira de negócios que vão desde a preparação da terra, até o transporte de grãos para fora do Município, Estado e País. 

Melhoramos muito em tecnologias graças as pesquisa, melhoramento genético e com os cuidados com a terra, adubação, preservação do meio ambiente etc (pesquisas dizem que os agricultores lidera preservação no Brasil, dados da Embrapa), de leis mais rígidas para o cuidado com os equipamentos, alimentação, moradia para os trabalhadores, de quando lembramos de nossa infância, quantidades erosão, desmatamento indiscriminado, uso do fogo, passar veneno sem máscara, sem usar protetor solar e muito mais.

Fico encantada em saber que tem herbicida que mata mato de folha larga e não mata de folha fina e vise versa, que mata lagarta e não mata o passarinho que come essa lagarta que beleza

Mas para outro lado também temos pesquisa que mostram que as cidades agrícolas tem maior índice de pessoas com câncer, Tivemos essa semana mesmo uma palestra da Psicopedagoga Berenice Piana, onde falou sobre os direitos dos autistas, alarmante a quantidade de casos por habitante, uma das causa o agrotóxico além de outra.

Em que ponto quero chegar: na distância que estamos discutindo, 250 metros, o que são 250 metros, dois quarteirões e meio.

A quem interessa a mudança da lei e que impacto terá no entorno da cidade e no bolso dos donos da terras

Cabe em uma da mão a quantidade de proprietários no entorno da cidade, todos eles são beneficiados com o crescimento da cidade e com as vendas de terrenos. Moram aqui e tem seus familiares morando aqui. Não consigo crer que o impacto financeiro é tão grande a ponto de pôr em risco as pessoas que aqui moram.

Nas não podemos ser hipócritas, ficar batendo no peito que é contra o uso de agrotóxico pelos agricultores perto da cidade e usar veneno pra matar os matos dos terrenos, das ruas e jardins, do pátio das escolas, descuidar das nascente que estão aqui dentro da cidade e nos entornos.

“Não consigo ver proposito neste projeto”.

Caros colegas vereadores e vereadoras, Não podemos esquecer do fim a que nos propusemos: pensar, propor e construir uma sociedade cada vez mais justa em todos os sentidos.

Vamos refletir sobre isso? É sempre tempo de procurar novos caminhos a partir do ponto em que nos encontramos.

 

Edna Mahnic.

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