Salve 15 de outubro, dia do professor e da professora!

15 de outubro poderia ser um dia como outro qualquer, não fosse ele o dia do professor e da professora. Na condição de parlamentar representante dessa importante categoria de Profissionais, eu não poderia deixar essa data passar em branco. Sou professora aposentada. Mas não consigo me ver fora da pele de uma educadora que dedicou 27 anos da vida à arte de ensinar.

Nesses dias nervosos que precedem a uma eleição importante, quero propor uma trégua a esse debate acirrado e homenagear de modo reflexivo esses e essas importantes trabalhadores e trabalhadoras que são simplesmente os e as responsáveis pela formação de todos os outros profissionais.

A palavra professor(a), quer dizer “aquele que professa”, que ensina, que dedica grande parte do seu tempo a transferir o que sabe a outras pessoas, sejam crianças, adolescentes ou adultos. Em latim, pedagogo significa “AQUELE/A QUE CONDUZ A CRIANÇA”.

Desde a mais tenra  infância faz toda a diferença ser, ou não, conduzido por alguém que sabe, pois ninguém aprende nada sozinho. Começando pela educação infantil, a professora e o professor exercem um papel fundamental para o desenvolvimento do cidadão, pois é nessa fase que acontece o primeiro contato educacional de uma criança fora da esferas de influência dos pais. Imaginem a responsabilidade! Esse cuidado é, geralmente, um trabalho organizado e sistematizado para acontecer do modo mais correto possível, já que as famílias do Brasil possuem a liberdade constitucional de exercer a religião que quiserem, e de legar (ou não) aos seus filhos essa mesma prática religiosa, só para citar um dos lados dessa importante tarefa.

Até os pesquisadores precisam de quem os oriente para chegar à produção de um conhecimento novo que, por sua vez, será disseminado pelos/as professores/as. Toda forma de produção vem na esteira dessa importante área que guia a humanidade desde os tempos mais remotos.

Seguindo essa linha vem toda uma moldagem de conduta que precisa ser respeitada e, em alguns aspectos, até incentivada. Jamais reprimida. Mas há práticas que são percebidas pelos professores e professoras que precisam sofrer intervenção, e aí é que começam as dificuldades.

Ensinar as letras, as matemáticas e ciências são só uma pequena parte da tarefa do/a professor/a. Apesar de ser indispensável conhecer bem a área em que atua, o professor ou professora têm que trilhar uma caminho muito estreito quando trabalham. Não pode sair por aí ensinando coisas da própria cabeça. Não pode simplesmente disseminar aquilo que crê ou que “acha” que é a verdade. Em todas as áreas. Aquilo que professa precisa ter comprovação científica. Precisa ter fundamentação lógica, veracidade, incluindo aí as notícias.

É claro que é impossível a qualquer profissional não deixar seu modo de vida pessoal  interferir no modo como trabalha, principalmente se esse trabalho é exercido através da oralidade. Mas, (repetindo) há parâmetros muito estreitos para as idéias ou práticas pessoais, e quem força essa barreira pode vir a sofrer as penalidades legais. Mas, ainda assim, todo o universo apreendido no espaço escolar é fruto do relacionamento profissional do aluno com seu professor ou sua professora.

E tem também muita coisa burocrática, nada agradável de se trabalhar, que é a participação na  elaboração do PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola; a elaboração do Plano de Ensino da turma com a qual vai trabalhar; selecionar os componentes curriculares. Metas, objetivos, avaliação, resultados, frequência, resultado no final do ano letivo. Mas há setores no ensino que são de difícil atuação. Às vezes provoca em nós mesmos momentos de profunda reflexão. O tempo todo temos que exercer nossa tarefa de desconstruir situações adquiridas ou desenvolvidas em casa ou no seio familiar. A verdade precisa ser dita do ponto de vista científico e isso, às vezes, vai contra conceitos repassados pelos pais.

O/a professor/a precisa saber lidar com crianças em situações especiais, organizando o espaço escolar de uma forma que leve a criança a adquirir e desenvolver hábitos de conscientização social e ambiental. As atividades escolares precisam desenvolver o raciocínio e, para isso, o profissional da educação seleciona jogos, desenhos, atividades textos e exercícios. Junto a tudo isso, atua como observador/a e julgador/, fazendo as interferências que julgar necessárias, segundo critérios já aprovados cientificamente.

Não é fácil, e muitos sucumbem pelo caminho. Tanto o/a profissional quanto uma multidão de estudantes que preferem seguir outros caminhos e colocar a culpa de seus “fracassos” na escola, no professor ou professora. Já seu sucesso (a maioria, talvez) é tido como “mérito pessoal”; o contrário é culpa daquela professora ou daquele professor que “pegou no meu pé”, por isso parei de estudar. Mas a vida continua  em outros espaços de aprendizado: eis que lá se encontra o/a professor/a, mesmo que seja chamado por outro nome: instrutor/a, monitor/a, treinador/a. com uma diferença: fora do espaço da escola pública ou particular, há outros objetivos juntamente com outras práticas de ensino.

Ninguém faz questão de ser chamado/a de mestre/a. A maioria daqueles e aquelas que professam seus conhecimentos não vive em busca de homenagens vãs, palavras que se soltam no ar e se perdem no vazio do tempo. O/a  Educador/a sente prazer com a transformação social; aquilo que conhece dos livros ou da vida, ele ou ela quer levar para a vida real de todas as pessoas… em todas as áreas. É impossível a um/a profissional da educação exercer honestamente sua atividade e não ter um pensamento de esquerda, do contrário estaria praticando FALSIDADE IDEOLÓGICA.

A militância (ameaçada atualmente), através da valorização profissional, não quer dizer que só pensamos em nós mesmos/as. Mas há quem exerça o magistério de modo mecânico, distanciado da verdadeira transformação; são os mesmos que estão indo o atrás das propostas vazias e ameaçadoras que acabarão por promover o desmonte da já tão sofrida educação pública brasileira. Já vimos que há professores com “p minúsculo, e Professores com “P” maiúsculo. Todos e todas têm em comum uma única coisa: “ensinando também se aprende”, como diria Guimarães Rosa. E é nesse aprendizado repentino que esperamos a grande transformação.

 Ser professor/a é incentivar atitudes corretas e louváveis, e desestimular aquelas que são reprováveis. Há quem diga que, caso a educação fosse levada a sério em todos os seus aspectos, seguramente, em uma geração (25 anos) teríamos mudado toda a sociedade, em todos os seus aspectos. Só que na prática isso não se dá pois há carência de tudo. E nós, os/as profissionais da educação ainda sofremos com acusações injustas, com coisas que fogem ao nosso controle.

 Por mais que uma educação escolar seja fundamental para que qualquer pessoa atinja seus objetivos de “vencer na vida”, há uma EDUCAÇÃO que precisa vir de casa e que é básica no prosseguimento do aprendizado: “aprender a aprender” é o que acaba ficando para a vida, base trazida do seio familiar. Essa precisa ser buscada e aperfeiçoada. Não estou transferindo responsabilidades. Essa tarefa precisa sofrer interferências do Estado, pois é só ele que tem os meios econômicos e o poder legítimo para fazer isso.

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