2018 Um ano que não termina.

Companheiras e companheiros de Parlamento, Senhoras e senhores chegamos, novamente, a mais um final de ano. Não de um ano qualquer, mas de 2018. Apesar da expectativa de um novo governo, uma parcela da população se encontra INDIFERENTE a esse processo. Para esses, o que vier, é lucro. Para outros a “virada” aconteceu e aguarda ansiosamente o início de 2019, quando oficialmente a ‘renovação’ irá se concretizar mediante uma nova perspectiva de “vida” para o próximo ano, com liberalização do uso de armamento e tudo. Para outro grupo, o marco de esperança esperado em 2018 não aconteceu. Pertenço a este. Ao contrário de uma retomada, vemos nele a instalação duradoura e inaceitável de um retrocesso para a classe trabalhadora que só os próximos 4 anos poderão apontar objetivamente sua extensão.

Previsões otimistas de um lado ou catastróficas de outro. A política tem dessas coisas. O Brasil é um País rico em recursos naturais, possui um clima agradável, terras generosas e um povo trabalhador e dedicado; bem ao contrário do que se tenta propagar por aí. Ocorre que a exploração dessa riqueza tem sido feita por uns poucos privilegiados que se tornaram ricos, milionários (e até bilionários) como resultado da exploração dessa riqueza. Mas a distribuição do seu resultado sempre se deu de forma injusta e desonesta.

É disso que estamos falando: da expectativa de distribuição de uma riqueza que insiste em ficar nas mãos de uns poucos privilegiados. Os europeus chegaram aqui e encontraram terras férteis e um subsolo abundante em minerais: ouro, prata, cobre, níquel, estanho, diamante, esmeraldas. Imediatamente trataram de explorar a mão de obra dos nativos e dos escravos africanos e seus descendentes. Assim, iniciaram a transferência de toda a matéria mineral, que aqui encontraram, para a Europa.

Depois vieram os ciclos da agricultura e pecuária, explorados até os dias de hoje. Couro de boi, cana de açúcar, café, cacau, milho e soja escoam para os países do primeiro mundo e para a Ásia. Os grãos vão alimentar populações humanas ou animais. O que seria do mundo se não fossem os americanos do sul, particularmente o Brasil com sua abundante riqueza natural e cultivada? Mais recentemente veio o petróleo, primeiro como possibilidade, depois como realidade.

O escritor Monteiro Lobato defendeu que as primeiras jazidas de petróleo descobertas na Bahia fossem de propriedade do povo brasileiro. Isso lhe rendeu alguns anos de cadeia, arranjados pelo próprio Getúlio Vargas, ditador à época. Mas em outubro de 1953 foi fundada a Petrobrás e, de lá para cá só vimos a exploração desse fonte de energia crescer e se multiplicar. Em 2007, com a descoberta do Pré-sal, o que poderia ser a “sorte grande” do Brasil se tornou o calvário do Presidente da época: Luís Inácio Lula da Silva estava com os dias contados, já que fora em suas mãos que a Petrobrás descobriu a 3ª maior jazida de petróleo do mundo. Daí aos dias atuais não teve mais sossego. Nem em sua vida política, nem em sua vida particular, já que o grupo político que o PT representa apresentou um projeto de distribuir as riquezas do petróleo para a Educação e Saúde.

A extrema-direita quer essa mesma riqueza nas mãos de particulares e, em nome disso está entregando a matéria bruta para empresas norueguesas e norte-americanas a centavos de dólar o barril. Levam a matéria-prima (commoditie) e alimentam seu parque industrial criando milhões de empregos em seus países. Ao Brasil resta adquirir os derivados do petróleo que um dia fora seu a preços multiplicados. Nós, os militantes da esquerda, trazemos conosco a marca da luta pelo social.

Temos o mesmo projeto dos países [capitalistas] do norte da Europa, como Finlândia, Dinamarca, Noruega, Suíça, Suécia: empregar os recursos extraídos do solo e subsolo em favor da população local. Nós, os militantes da esquerda, temos o sonho de empregar nossas riquezas em favor de todos brasileiros e brasileiras, tornando este País um Estado de Bem-Estar Social. O próprio nome explica a ideia.

O Estado de Mato Grosso também não pode ficar fora desse projeto. Seu governador-eleito precisa implementar a redistribuição de suas riquezas, custe o que custar. Nosso Estado é uma espécie de Califórnia brasileira: economia forte, uma dos maiores PIBs do país; na prática, a miséria se espalha. O governador que assume em 2019 tem a responsabilidade de pisar no freio das isenções fiscais até encontrar o ponto de equilíbrio entre o arrecadado e o investido na sociedade. É justo que todos os trabalhadores e trabalhadoras que para cá vieram nos anos 1970 e 80 (e seus descendentes) participem do seu “bolo de crescimento econômico”; não só os investidores.  

Nesse mesmo tom, quero finalizar minha fala conclamando os/as colegas de Parlamento a escolhermos o melhor presidente para este Parlamento. Lembremo-nos de que se trata do chefe de um dos Poderes municipais, Não podemos nos esquecer de colocar em prática muito do que projetamos em nossas campanhas; a maior parte do que vislumbramos para os 4 anos ainda está por ser feito. Assim, é prudente que escolhamos alguém independente, mas que possua boa capacidade de dialogar com o Executivo, com vistas ao melhor para a população em geral. Em pauta, muitos projetos e, entre eles, aguarda para ser enviado e votado há mais de dez anos o PCCS dos servidores e servidoras da Educação e outros projetos. Não queria ver nosso mandato terminar, em 2020, pesando por sobre os nossos ombros (particularmente no meu) essa antiga dívida para com os valorosos profissionais que cuidam, educam e ensinam os filhos da sociedade primaverense.

Trabalho digno, Segurança com amplo respeito às garantias individuais, respeito ao Meio-ambiente e Educação com perspectiva democrática; tudo isso é esperado dos novos governantes nas três esferas de poder e nos três Entes Federados. Ações afirmativas em todas essas áreas e voltadas aos diferentes grupos são formas de VALORIZAR e RESGATAR A FAMÍLIA! Não importa, nesse contexto, se os benefícios vindos são da direita ou da esquerda. Importa virem.

Um Feliz Ano Novo a todos e a todas.

 

Edna Mahnic  –  vereadora.

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